Amor na atualidade.
Tudo é pra ontem. Nada desliga. O acontecimento no Japão ao meio-dia bate em São Paulo e nem é meia-noite. O Mundo parece ter virado uma bolinha de gude. Todo mundo quer tudo muito rápido. Os caracteres são limitados, as legendas precisam ser diretas e as fotos tem que estampar felicidade. Não há espaço pro mais ou menos. Pra dúvida. Não se quer ver alguém tropeçando, apenas tendo êxito. E, nessa vitrine social que as redes viraram, todo olhar há de ser arrebatador, todo encontro "pra sempre" e qualquer química precisa ser explosiva. Tempo é o necessário para responder "sim ou não". E vambora. Direita, esquerda, match. Superlike. Amor? Já ouvi falar. Onde vamos chegar? Ora, o mundo não desaprendeu a amar. O Mundo não está ao contrário. Somos os mesmos, mas com vícios cibernéticos. Estamos tentando adaptar o que o coração sente aos bytes e, não quero ser saudosista, mas sentimento mesmo é algo bem off-line. Mesmo que você dependa da Internet para sobreviver, mesmo que você esteja esperando a resposta pelo whats, mesmo que você namore por Facebook e transe por Facetime. Mesmo que você sinta que os emojis dizem tudo que você precisa em certos momentos. Uma hora a bateria acaba. E, não tendo por perto uma tomada, como você comprovará teu Amor? Como você vai saber se a resposta é negativa ou positiva? Como conseguiremos esperar? O povo não quer esperar. Não quer ter saco de esperar pra ver no que aquela conversa vai dar. Não quer construir nada. Cada um que corra atrás de seus sonhos. Egos inflados em sorrisos vazios. E mãos que não seguram outras mãos. Talvez o Amor tenha entendido que é melhor se aliar ao virtual e até se adaptar ao tempo de tudo, mas ele continua sendo o verdadeiro sentimento no real. Amor é toque, não touch. É espera, não loading. Acontece com o Tempo, não na velocidade de uma notificação pus.
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